Quinta, 09 de julho de 2026
POLíTICA

Ione Pinheiro recebe parecer favorável em sabatina histórica para o Tribunal de Contas de Minas Gerais

Indicação da deputada ao TCE-MG marca avanço institucional na representatividade feminina e reforça debate sobre controle externo orientador, tecnologia, governança pública e efetividade das políticas públicas

A Comissão Especial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou parecer favorável à indicação da deputada estadual Ione Pinheiro para o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. A decisão ocorreu após arguição pública realizada na ALMG, em um processo marcado por forte simbolismo institucional, relevância política e discussão técnica sobre os novos caminhos do controle externo no Estado.

A indicação de Ione Pinheiro representa um marco na história do Parlamento mineiro. Caso seja confirmada pelo Plenário, ela será a primeira mulher indicada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais para integrar o colegiado do Tribunal de Contas do Estado. A matéria seguirá agora para apreciação em turno único no Plenário da ALMG, etapa necessária antes da eventual nomeação formal pelo governador do Estado.

Durante a reunião, conduzida pela Comissão Especial, a parlamentar apresentou sua trajetória pública, destacou sua experiência administrativa e defendeu uma visão de Tribunal de Contas mais moderno, pedagógico, tecnológico e próximo dos municípios. Em sua exposição inicial, Ione afirmou que sua candidatura está vinculada ao compromisso com Minas Gerais, com a boa governança, com a fiscalização eficiente e com a orientação estratégica aos gestores públicos.

A deputada ressaltou sua origem em Ibirité, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, e lembrou sua experiência como secretária municipal de Administração, função na qual afirmou ter conhecido de perto os desafios da execução orçamentária, da gestão pública local e das dificuldades enfrentadas diariamente pelas prefeituras. Para ela, além da corrupção e da improbidade, a falta de capacidade técnica dos gestores públicos é um dos principais entraves à boa governança municipal, contribuindo para perda de recursos, paralisação de obras e ineficiência de políticas essenciais.

O eixo técnico da sabatina foi a defesa de um controle externo que vá além da dimensão punitiva. Ione Pinheiro afirmou que o Tribunal de Contas deve continuar exercendo sua missão fiscalizatória, mas também ampliar sua atuação orientadora, educativa e construtiva. A parlamentar sustentou que a fiscalização pública deve estar associada à prevenção de falhas administrativas, à melhoria da qualidade do gasto público e ao fortalecimento da capacidade institucional dos municípios.

Nesse ponto, a deputada destacou o papel da tecnologia como ferramenta de modernização e equidade. Segundo ela, sistemas de inteligência, cruzamento de dados e plataformas digitais permitem que o Tribunal amplie sua capacidade de fiscalização e orientação, alcançando tanto grandes centros urbanos quanto pequenos municípios. A parlamentar mencionou a importância de instrumentos tecnológicos como o Suricato, além de ferramentas de acompanhamento e análise, para dar mais celeridade, precisão e efetividade ao controle externo.

Outro ponto relevante foi a defesa da Escola de Contas Professor Pedro Aleixo como instrumento de capacitação permanente de gestores, servidores e agentes públicos. Ione argumentou que muitos municípios, especialmente os de pequeno porte, precisam de apoio técnico mais próximo, linguagem acessível e orientação prática para cumprir corretamente suas obrigações legais, contábeis e administrativas. Para ela, a ampliação de ações formativas e itinerantes pode contribuir diretamente para a prevenção de erros, a melhoria dos processos públicos e a proteção do interesse coletivo.

A representatividade feminina ocupou lugar central em toda a sessão. A candidata lembrou que o atual colegiado do Tribunal de Contas é composto exclusivamente por homens e afirmou que a ausência feminina em espaços de deliberação revela uma lacuna democrática ainda não superada. Em sua fala, defendeu que a presença de mulheres nos espaços de poder não se limita a uma pauta simbólica, mas representa aprimoramento da própria governança pública.

Ione também prestou homenagem às 47 mulheres que, ao longo da história, ocuparam cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, destacando que cada uma contribuiu para abrir caminhos, romper barreiras e fortalecer a participação feminina na política mineira. A parlamentar afirmou que sua indicação rompe um silêncio histórico e reforça valores republicanos como imparcialidade, eficiência, transparência, equidade e qualidade da administração pública.

A relatora, deputada Nayara Rocha, conduziu a arguição com perguntas sobre a motivação da candidata para assumir o cargo, o papel da mulher na Corte de Contas, a relação entre Tribunal, Assembleia e Governo do Estado, além da efetividade da fiscalização sobre os entes públicos. Ao final, considerou satisfatórias as respostas apresentadas e leu parecer favorável à indicação, apontando que a candidata demonstrou conhecimento, experiência e atributos necessários ao exercício da função.

Parlamentares presentes também destacaram o caráter histórico da indicação. A presidenta da Comissão Especial, deputada Lohanna, afirmou que a escolha de Ione representa a quebra de um “teto de cristal” na estrutura de poder em Minas Gerais. Em sua manifestação, ressaltou que mulheres avançam em espaços de mérito, como concursos e carreiras técnicas, mas ainda enfrentam barreiras quando a ascensão depende de reconhecimento político e institucional.

A deputada Ana Paula Siqueira ampliou o debate ao defender que o Tribunal de Contas possa atuar como indutor de políticas públicas sensíveis às desigualdades de gênero. Ela mencionou a necessidade de aprofundar o orçamento sensível a gênero, mecanismo capaz de avaliar se os recursos públicos estão sendo planejados e executados de forma a reduzir desigualdades, proteger mulheres e garantir efetividade às políticas de enfrentamento à violência, saúde da mulher, creches e promoção de direitos.

Em resposta, Ione Pinheiro afirmou que a avaliação das políticas públicas deve considerar resultados concretos para a vida das pessoas. Segundo ela, o controle externo contemporâneo precisa observar não apenas a regularidade formal dos gastos, mas também a efetividade da ação pública, especialmente em áreas sensíveis como mulheres, crianças, idosos, saúde, educação e combate às desigualdades.

A sabatina também reforçou a importância da relação institucional entre o Tribunal de Contas, a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado. Ione defendeu uma convivência baseada em independência, respeito, cooperação e rapidez no fornecimento de informações técnicas. Para ela, um Tribunal forte fortalece também a Assembleia e contribui para decisões públicas mais corretas, tempestivas e alinhadas ao interesse da sociedade mineira.

Ao avaliar a capacidade atual de fiscalização do TCE-MG, a parlamentar reconheceu a complexidade da missão institucional da Corte diante da dimensão do Estado, que reúne 853 municípios e milhões de habitantes. Ela afirmou que o Tribunal está em processo permanente de aprimoramento, com investimentos em tecnologia, modernização, escuta dos jurisdicionados e maior aproximação com o cidadão.

O parecer aprovado pela Comissão Especial reconheceu que Ione Pinheiro respondeu às perguntas com segurança, clareza e objetividade, demonstrando conhecimento sobre a instituição para a qual foi indicada. O relatório também registrou que sua candidatura representa um marco na história institucional da ALMG, por se tratar da primeira mulher indicada pelo Parlamento mineiro para integrar o Tribunal de Contas do Estado.

Com a aprovação na Comissão Especial, a indicação segue para o Plenário da Assembleia Legislativa, onde será votada em turno único. Caso seja aprovada, caberá ao governador formalizar a nomeação. A posse, conforme o rito institucional, deverá observar os prazos previstos nas normas aplicáveis ao Tribunal.

Mais do que uma etapa formal de escolha de conselheiro, a sabatina de Ione Pinheiro colocou em evidência um debate mais amplo sobre o futuro do controle externo em Minas Gerais. A discussão reuniu temas como governança pública, capacitação municipal, tecnologia, fiscalização de resultados, orçamento sensível a gênero, participação feminina e fortalecimento democrático.

Ao final da sessão, a indicação de Ione Pinheiro consolidou-se como um movimento de relevância política e institucional. Para seus apoiadores, trata-se não apenas da possibilidade de ingresso de uma mulher no Tribunal de Contas, mas de uma mudança de perspectiva sobre como a fiscalização pública pode contribuir para uma gestão mais eficiente, humana, transparente e comprometida com os resultados que chegam à vida real da população mineira.

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